Cenário promissor: Nos últimos anos, café robusta registra crescimento significativo e ainda tem potencial para expansão no Brasil
- eliassto
- 6 de out.
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A produção de café robusta no Brasil vem crescendo de forma significativa nos últimos anos. Para 2025, a safra da variedade está estimada em 20,1 milhões de sacas beneficiadas, o que representa um acréscimo de 37,2% em relação à anterior, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Este bom resultado é atribuído à melhor regularidade climática durante as fases críticas das lavouras, que favoreceu parte das floradas, e à boa formação de frutos por rosetas, em especial no Espírito Santo que representa 69% da produção de conilon/robusta no país.
De fato, a variedade demonstra maior resistência ao calor, à seca e a doenças quando comparado com o café arábica, o que a torna cada vez mais resiliente diante as constantes mudanças climáticas, que impactam cada vez mais a produção brasileira de café.
Segundo um estudo divulgado pelo banco holandês Rabobank, com as sucessivas e crescentes imprevisibilidades climáticas, os produtores brasileiros têm apostado na irrigação como solução estratégica para garantir mais produtividade. No caso do café robusta, a irrigação já vem desempenhando um papel central na expansão e modernização das lavouras. O estudo acrescenta que, atualmente, cerca de 71% das lavouras de robusta do Brasil são irrigadas, e as projeções mostram que podem chegar a 363.800 hectares até 2040.
Embora os custos operacionais da produção do robusta sejam mais elevados devido à sua natureza intensiva em mão de obra e à dependência de irrigação, sua produtividade significativamente maior, quase 170% a mais de produtividade por hectare do que o arábica, ajuda a compensar esses gastos.
"Em um mercado global cada vez mais impactado pela volatilidade climática, as características intrínsecas do robusta, combinadas à capacidade do Brasil de cultivar em larga escala, posicionam o país para oferecer um fornecimento mais estável e confiável. O Brasil tem pleno potencial para se consolidar como o principal player global no mercado de café robusta", acrescenta ainda o estudo do banco holandês.
O Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o Brasil possui cerca de 76.000 produtores de café robusta, e quase 86% deles operam fazendas de até 50 hectares, destacando a predominância de pequenos e médios produtores, que respondem por cerca de 56% da produção nacional.
De acordo com o analista de mercado da Safras & Mercado, Gil Barabach, ao longo dos últimos anos, o café robusta apresentou um salto em termos de produtividade, principalmente no Espírito Santo. "Quando a gente teve uma seca severa, a gente tinha lavouras muito envelhecidas. Com a seca, o produtor aproveitou para fazer renovação, e aí entrou lavouras mais novas, com um sistema produtivo diferente. Isso deu um fôlego para a produtividade subir. Ainda estamos vivenciando esse momento de investimento, mas existe espaço para crescer essa produção de robusta, ainda mais com esse preço tão valorizado que a variedade se encontra no momento", explicou o analista.
Para Gil, a variedade que está constantemente nos blends, também tem potencial e está cada vez mais direcionada para a exportação, "esse crescimento do consumo de café na Ásia é uma boa notícia porque encaixa justamente com esse crescimento da produção de conilon/robusta do Brasil", projetou.
Já para o consultor e sócio diretor da Pine Agronegócios, Vicente Zotti, a variedade pode ser a nova dinâmica de demanda interna, "por estarmos mantendo o potencial produtivo melhor do que o arábica nos últimos anos, o robusta retirar muito da demanda interna de café do arábica. Podemos ter um aumento diário de robusta no parque cafeeiro no próximo ano. Onde tem capacidade, onde tem logística, têm aumento de produção", completou Zotti.
Dados da Embrapa destacam que o Brasil tem cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser convertidas para agricultura, sem necessidade de desmatamento. Isso abre então as possibilidades para expansão do café robusta de forma mais sustentável no país nos próximos anos.
Por: Raphaela Ribeiro
Fonte: Notícias Agrícolas
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